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400 prisioneiras - Flávio de Barros - Outubro de 1897
“As mulheres eram”, diz Euclides, “na maioria, repugnantes. Fisionomias ríspidas, de viragos, de olhos zanagas e maus. Destacava-se, porém, uma. A miséria escavara-lhe a face, sem destruir a mocidade. Uma beleza olímpica ressurgia na moldura firme de um perfil judaico, perturbados embora os traços impecáveis pela angulosidade dos ossos apontando duramente no rosto emagrecido e pálido, aclarado de olhos grandes e negros, cheios de tristeza soberana e profunda”
Na fotografia de Augusto Flávio de Barros, podemos compreender melhor o texto de Euclides da Cunha em o livro Os Sertões. Os olhares e interpretações nos comove quando fixamos nosso olhar por pouco mais de dez segundos. A estudante Ana Clara faz-nos uma emocionante leitura imagética da fotografia intitulada "400 prisioneiras":

Leitura Imagética

As prisioneiras


Quatrocentas prisioneiras, mulheres idosas, crianças e moças, todas elas com um mesmo sentimento: dor. Mal vestidas e sem um pingo de vaidade, aliás nada disso importava mais. Faltava batom em suas bocas assim como alimento. Seus cabelos emaranhados com a confusão. Em suas peles não haviam o cheiro da rosa, era o cheiro da perda e da dor que impregnava as suas roupas. Em suas unhas, sujeira, restos de uma guerra sangrenta, guerra essa que nunca teriam fim em suas memórias. Eram quatrocentas mulheres, todas elas com a alma despida. Donas de um olhar pesado, cansado, amedrontado, ferido. Donas da dor da perda. A perda de seu lar, de seus companheiros. Ali estavam mães sem seus filhos, filhos sem as suas mães. Famílias quebradas ao meio sem nenhuma piedade. As facas degolavam as suas almas e pouco a pouca a chacina acontecia no peito de cada uma. O que dizer daquelas crianças? Queria eu poder coloca-las em meus braços e faze-las esquecer de que o mundo as via como loucas só por sonhar. Todas elas assustadas e sem esperança de que o dia para eles poderiam raiar. As lágrimas lavavam os rostos dos pequenos, levando embora a pureza e a liberdade que um dia a elas pertenceu. E lá atrás podemos avistar soldados atordoados com o gemido das almas que ali se perderam.


Ana Clara Oliveira dos Santos

Canudos Bahia - Outubro/2015






Créditos da fotografia de Flávio de Barros: Instituto Moreira Sales.


Um comentário:

  1. Olá!!! Então, amei a interpretação, os textos de Ana Clara são lindos, ela consegue captar o que na alma está! Abraços! www.minhanegracor.com

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